Na nossa região, neste ano, a colheita do milho 2ª safra tem início no final de maio, estendendo-se pelos meses de junho e julho, especialmente nas áreas de plantio mais precoce. Esse período exige atenção criteriosa ao manejo pré-colheita, etapa essencial para reduzir perdas, preservar a qualidade dos grãos e assegurar a rentabilidade da lavoura.
Antes do início da operação, é fundamental realizar a limpeza completa da colheitadeira, evitando contaminações por resíduos de safras anteriores, sementes de plantas daninhas e outras impurezas. Também é indispensável a verificação geral do equipamento, incluindo sistemas de transmissão, plataforma de corte, componentes de trilha, peneiras e sistema de distribuição de palha, garantindo seu pleno funcionamento.
A regulagem adequada da colheitadeira é determinante para a eficiência da operação. A altura de corte deve ser ajustada conforme a posição das espigas, evitando perdas por espigas não colhidas ou pelo excesso de material vegetal. A velocidade de operação deve ser definida de acordo com as condições da lavoura, buscando equilíbrio entre rendimento operacional e redução de perdas. Velocidades elevadas podem aumentar a debulha fora da máquina, enquanto velocidades muito baixas reduzem a produtividade.
O sistema de trilha, responsável pela debulha e separação dos grãos, requer ajustes adequados de rotor e côncavo, considerando a umidade dos grãos e as condições da cultura. Regulagens incorretas podem elevar a quebra de grãos, comprometendo o valor comercial e a qualidade durante o armazenamento.
Da mesma forma, o sistema de ventilação e as peneiras devem ser corretamente ajustados para garantir a limpeza dos grãos. Falhas nesses ajustes podem resultar em perdas junto à palha ou na presença de impurezas no produto final, reduzindo sua qualidade e aceitação no mercado.
O ponto ideal de colheita ocorre quando os grãos atingem a maturidade fisiológica, identificada pela formação da camada preta na base do grão, junto ao sabugo. Recomenda-se realizar a colheita com umidade entre 18% e 22%. A antecipação eleva os custos de secagem e pode comprometer a qualidade, enquanto o atraso aumenta as perdas em campo, devido ao acamamento, queda de espigas e maior incidência de pragas e doenças.
A qualidade final dos grãos depende diretamente dessas práticas de manejo. Equipamentos bem regulados e submetidos à manutenção preventiva contribuem para a redução de perdas e para a obtenção de um produto mais limpo, íntegro e com maior valor de mercado. Dessa forma, o manejo pré-colheita se consolida como uma etapa estratégica no sistema produtivo do milho 2ª safra.